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LIVRO MITOLOGIA AMAZÔNICA CABANAGEM GIAN DANTON

Livro Cabanagem mistura fatos históricos e seres mitológicos da Amazônia

Obra de Gian Danton reúne terror e folclore em uma aventura cheia de mistérios. Livro está disponível para pré-venda.

Paula Monteiro - 27 de Novembro de 2020

Você já deve ter lido em vários livros sobre a Cabanagem (1835-1840), movimento ocorrido na província do Grão-Pará, hoje estado do Pará, que resultou em anos de conflitos na região. Mas essa é uma história diferente: com um toque de terror, mistério e seres do folclore amazônico!

Em seu mais novo livro “Cabanagem”, Gian Danton convida o leitor a viajar no tempo, em um mundo de fantasia, aventura e mistérios onde mistura fatos históricos e seres mitológicos da Amazônia em uma fantástica leitura de 120 páginas.

O Portal Égua, mano! conversou com o autor, que é umas das principais referências nacionais quando o assunto é roteiro de histórias em quadrinhos. Ele falou sobre suas inspirações e o que o motivou a escolher o tema. Confira!

Fale sobre a obra, qual foi sua inspiração e como surgiu a ideia de misturar fatos reais com mitologia?

O que me motivou a escrever o Cabanagem foi a percepção de que a maioria das pessoas, mesmo da Região Norte, sabe muito pouco sobre a revolta cabana. Um amapaense sabe muito mais sobre a Revolução Farroupilha do que sobre a cabanagem.

Eu mesmo sabia muito pouco até que, num evento aqui no Amapá, um rapaz que já tinha lido meus outros livros me perguntou por que eu não escrevia sobre a cabanagem no Amapá. Cabanagem no Amapá? Pelo que eu sabia, a cabanagem tinha acontecido em Belém. Essa conversa me levou a pesquisar sobre o assunto. Baixei teses, artigos, comprei livros. E fiquei impressionado com o que descobri.

A cabanagem foi a mais ampla revolta de toda a história do Brasil. Depois que o movimento foi derrotado em Belém, os cabanos se espalharam por locais que iam do Maranhão ao Amazonas. Além disso, é a única revolta brasileira que é consequência direta da revolução francesa. Quando a família real fugiu para o Brasil, eles, como vingança contra Napoleão, resolveram invadir a Guiana Francesa. Acontece que o local estava cheio de revolucionários que tinham sido enviados por Napoleão para lá como punição. E, acreditando que o inimigo de meu inimigo é meu amigo, os portugueses abriram as portas do Brasil para esses revoltosos, muitos dos quais foram para Belém e chegaram a participar da revolução cabana! Escrever o livro foi uma forma de chamar a atenção para isso e levar as pessoas a procurarem saber um pouco mais sobre esse evento. 

O livro é focado num grupo de revoltosos que está fugindo na direção do Amapá e todas as dificuldades encontradas no caminho. Mas, além dos fatos históricos, eu acrescentei mais uma coisa, algo que tem um significado muito grande para mim: a mitologia amazônica. Assim, os seres da floresta se dividem, alguns apoiando os cabanos, outros apoiando as forças de repressão.

A Amazônia é o cenário dessa história. A floresta ajuda na inspiração para contos de terror?

A floresta é perfeita para histórias de terror. Eu já andei muito na floresta do Utinga, em Belém, e víamos muita coisa, visagens, como uma pessoa que aparecia e desaparecia atrás de uma árvore. Uma vez um amigo viu um ser todo de preto com folhas em volta do corpo passando rápido e desaparecendo atrás de uma árvore caída. Acho que só não acredita em visagem quem nunca entrou na floresta amazônica. Quer ambiente melhor do que esse para uma história de terror?

Algum motivo especial para escolher os seres mitológicos Matinta Pereira, Jurupari, Cobra Norato e Maringuari? Como é dar vida a eles?

Desde a época em que eu andava na floresta eu fiquei fascinado pelos seres mitológicos amazônicos. Certa vez, eu estava no sítio do meu sogro na ilha do Marajó e alguma coisa começou a andar atrás de mim. Eu me perdi e acabei indo parar muito longe. Quando voltei, o sogro me disse: "Isso foi o Curupira! Sempre que entrar na floresta, peça permissão". Então, tudo isso, essa mistura de experiências de pessoas com o que eu ia pesquisando fez com que eu tivesse um interesse cada vez maior pela mitologia amazônica. Os fãs de quadrinhos costumam glorificar a mitologia nórdica, por exemplo, mas aqui temos uma tão ou mais interessante.

Quanto tempo levou para produzir a obra? De quem é a ilustração?

Levei um ano para escrever o livro, entre pesquisa e escrita. Pesquisei muito para escrever o livro. Tanto que resolvi aproveitar essa bagagem com outro personagem, agora de quadrinhos. O Cabano vai ser personagem fixo da revista Mestres do Terror e a primeira história está em produção. Deve sair em julho do ano que vem.

O livro ficou lindo e um dos destaques são as ilustrações, a começar pela capa genial do Chris Ciuff, capista da Calafrio e da Mestres do Terror. As ilustrações internas são de amigos, a maioria de Belém, como o Andrei Miralha, o Otoniel e o Roberto Oliveira. De Manaus, tivemos a colaboração do Romahs. Também tem imagens do Antonio Eder, de Curitiba, e do Laudo, de São Paulo. E tem um ilustrador daqui de Macapá, o Igum D´Jorge. Todos fizeram um trabalho incrível.

O livro foi financiado via Catarse, que é uma plataforma de financiamento coletivo em que a pessoa ajuda a publicar o livro e recebe recompensas, que podem ir do próprio livro até camisas e cards. Nossa meta era de 3.500 reais e ultrapassamos 4 mil. Agora o livro está em pré-venda no site da editora. Adquira AQUI

Confira a sinopse

1836. A cabanagem foi derrotada em Belém e se espalhou pelos rios da Amazônia. Um pequeno grupo de índios, negros e mestiços liderada pelo misterioso Chico Patuá se dirige para o Amapá singrando os pequenos rios da região. No seu encalço, o governo regencial mandou soldados comandados por um psicopata assassino, Dom Rodrigo. Em meio a essa disputa, soma-se outra, quando os seres da floresta (Matinta, Jurupari, Cobra Norato, Mapinguari) resolvem tomar partido na contenda, alguns ficando a favor de Chico e outros se aliando a Dom Rodrigo. Cabanagem é um romance de fantasia histórica que mistura fatos reais com mitologia amazônica e terror no melhor estilo Gian Danton.

 

Foto/capa: Divulgação.

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